A Exposição Mini Challenge reuniu uma série de trabalhos, meus e do artista Luís Espinheira, que têm em comum explorar, mais ou menos directamente, o território da pintura.
O espaço da exposição surgiu da oportunidade pontual, para ocupar temporariamente uma loja, ainda vazia na altura, do Centro Comercial Miguel Bombarda (a famosa "rua das galerias de arte" do Porto).
A cerveja é o mais banal e acessível dos néctares da vida boémia, também no universo das artes esta bebida consegue, muitas vezes, mais protagonismo do que muitas obras de arte. Falo aqui, principalmente, sobre um circuito de espaços expositivos de funcionamento nocturno que acabavam por chamar menos pelas exposições, do que pelo belo pretexto de beber uma cerveja. Mesmo assim, tudo isto acabava por ter aspectos extremamente positivos, as pessoas juntavam-se, desinibiam-se, e falavam muito de arte.
Mini-Challenge tenta, de modo irónico, inverter esta situação. Aqui, o principal pretexto do evento é uma festa da cerveja que confronta as duas principais marcas de cerveja do país, Sagres e Super Bock, como suplemento estão expostas algumas obras de arte.
O cartaz da exposição parte de uma fotomontagem, a partir de uma reprodução da peça de Jasper Johns "Ballantine Beers", que protagonizou em 1960 um interessante episódio entre arte e cerveja. Johns, elabora esta peça reagindo às palavras depreciativas de William de Kooning, quando este disse que o galerista Leo Castelli venderia qualquer coisa como arte, até latas de cerveja.

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Vista geral da exposição com a peça "Mini Chalenge" (uma colaboração com Luís Espinheira) em posição central do chão da sala. Esta peça consistia em duas metades de um bidão cheias com garrafas de cerveja "mini"; num dos lados Sagres e no outro Super Bock.

Este estabelecimento tem livro de reclamações, 2007; Esmalte sintético sobre ferro; 140x100cm

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Esta pintura de aspecto "Gary Humeano" parte da ilustração em folha A4, de apresentação visível e obrigatória em todos os estabelecimentos públicos, que informa o utente da existência do livro de reclamações e da possibilidade de manifestar o seu descontentamento pelo serviço prestado. As formas desta composição abstracta definem claramente o bem do mal, representados respectivamente por formas geométricas “correctas” e formas geométricas de aspecto rude. No momento da montagem optei por colocar a peça ao contrario, fazendo o incorrecto prevalecer sobre o correcto, ou melhor, o incontrolável sobre o controlo, numa clara metáfora com a condição da produção artística.
Este trabalho foi executado para uma exposição realizada no espaço de uma loja fechada, na principal rua das galerias de arte do Porto, a Rua Miguel Bombarda. Recentemente, as inaugurações simultâneas das galerias são patrocinadas por uma conhecida marca de Whiskey, o que faz do acontecimento uma verdadeira festa de rua com fanfarras a tocar e centenas de pessoas estranhas a beber desenfreadamente (de borla) e a ver exposições. A introdução desta peça na exposição de arte remete para uma possibilidade de reclamar, de poder intervir criticamente e participar na obra.

No Land (Stria, 1967), 2007; acrílico sobre tela; 75x188cm

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É com um comum jogo de palavras, e algum humor, que o título desta obra propõe aprofundar uma reflexão sobre a pintura e a sua presente condição. De modo contraditório, No land sugere-nos simultaneamente, uma ausência de território e o apelido de um famoso pintor norte-americano, que esteve precisamente ligado a uma vigorosa afirmação do território da pintura na segunda metade do século XX: Keneth Noland.
Tal como o título, tecnicamente No land assume um carácter híbrido pois, se por um lado rejeita a mais importante especificidade da pintura ausentando a superfície plana da tela (flatness), por outro faz aparecer um quadro de Noland (Stria, 1967) nas grades de madeira onde supostamente a tela estaria esticada.

S/ tella (Black Painting), 2007; Acrílico sobre madeira; 160x160cm

Tela Punk, 2007; Acrílico e peruca sobre tela montada em estrutura de MDF e pinho; 100x86cm